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sábado, 13 de março de 2010

O SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA






PELAS ORIGENS DA SANTA MISSA



Apresentamos a nossos leitores mais um trabalho de Francisco Lafayette de Moraes escrito na intenção de todos os católicos que, tendo tomado conhecimento da Missa de São Pio V, voltaram a freqüentá-la, a estudá-la e a fazer do Santo Sacrifício da Missa uma fonte de vida espiritual.

Como o modernismo instalado na Igreja deturpa as almas com seus erros, com seus ritos heretizantes, parece necessário devolver a elas a base que já não recebem mais no catecismo. Por isso o autor apresenta de modo suscinto o essencial sobre a Santa Missa, frizando seu duplo caráter, de verdadeiro sacrifício e de sacramento instituído para a nossa salvação.





APRESENTAÇÃO.



Este trabalho é a ordenação de trechos de várias obras, de vários autores (ver Bibliografia), que mostraram e provaram que a Missa enquanto sacrifício estava predita desde o Antigo Testamento, e, ainda, que Jesus anunciou - prometeu e instituiu o sacrifício-sacramento, tendo os Santos Padres da Igreja, desde os primórdios do Cristianismo, sempre ensinado aquilo que hoje é dogma de fé: Missa é sacrifício com a presença real (física) da Sagrada Vítima.



Se os dogmas relativos à Missa — isto é, o de ser a Missa um verdadeiro sacrifício, o da presença real, e o relativo ao sacerdócio ministerial — só foram formulados pelo Concílio de Trento, isto não significa que aquele Concílio do século XVI formulou uma doutrina nova, mas que tornou explícita a doutrina que até então havia sido sempre tacitamente aceita, e o fez em função da heresia protestante que negou, como ainda hoje nega, que a Missa seja sacrifício, querendo eles que seja um simples memorial do Senhor; negam, ainda, os protestantes a “presença real” e o “sacerdócio ministerial”.



Hoje, depois do Concílio Vaticano II, quando muitos prelados da Igreja Católica, e até mesmo altos prelados, por terem assimilado a heresia protestante, apresentam a Missa como um memorial da Ceia do Senhor, entendi ser proveitoso compilar, para ajudar a combater a heresia progressista, o que outros autores com sabedoria e profundidade já haviam escrito para demonstrar que a Missa enquanto sacrifício está inserida no Deposito da Fé católica, estando predita no Velho Testamento e confirmada no Novo Testamento.



Rio de Janeiro, no ano de 1992.



Francisco Lafayette de Moraes.

- O SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA É PREFIGURADO DOIS MIL ANOS ANTES DE INSTITUÍDO.





Dentre todas as figuras da Eucaristia, enquanto sacrifício, existentes no Antigo Testamento nenhuma é tão recordada pela tradição como o sacrifício de pão e vinho oferecido por Melquisedeque (*34). Este relato do Gênesis está, por isso mesmo, apresentado mais abaixo e também, por força de uma razão ainda maior, porque nos Salmos (*35) e no Novo Testamento (*36) se diz expressamente de Nosso Senhor Jesus Cristo que Ele é sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.



Com efeito, a Sagrada Escritura relaciona a oblação que Jesus fez de seu Corpo e Sangue, na Última Ceia, ao Pai, com o fato de ser Ele sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedeque (*37), como O chamou o rei David(*38). De modo que deve ser afirmado que a oblação de Melquisedeque foi verdadeiro tipo do sacrifício eucarístico, o que vale dizer que aquela não é apenas uma oblação semelhante, mas que Deus dispôs que Melquisedeque a fizera e assim nos fosse narrada no Gênesis, para que tivéssemos uma autêntica prefiguração da Eucaristia(*39).



Diz o Livro do Gênesis:



“18-Então, Melquisedeque, monarca de Salem, tomou pão e vinho, pois era sacerdote do Deus Altíssimo, 19 os benzeu, exclamando: ‘Bendito Abraão do Deus Altíssimo, criador do céu e da terra, 20 e bendito seja Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos em tuas mãos!’ Depois do que Abraão lhe deu o dízimo de tudo”(*40).



Regressava Abraão depois de derrotar vários reis, que haviam(*41) aprisionado a seu sobrinho Lot e tudo que ele tinha, e Melquisedeque, rei e sacerdote (monarca de Salem... sacerdote do Deus Altíssimo(*42)), saiu a seu encontro, ofereceu a Deus um sacrifício de pão e vinho que logo deu em convite a Abraão e aos seus e por fim abençoou a Abraão(*43).



A divina Providência, uns dois mil anos antes da efetiva instituição da Eucaristia, já havia tido o cuidado de figurar este Sacrifício e este Convite, que havia de ser o centro do culto cristão(*44): o santo Sacrifício da Missa e o Sacramento da Comunhão.





06 - O SACRIFÍCIO DA MISSA É PROFETIZADO POR DAVID.





O rei David dá a Jesus Cristo, no salmo 109, o título de Sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedeque, porque nosso divino Salvador irá empregar o pão e o vinho no Sacrifício da Nova Aliança, como outrora o havia feito Melquisedeque.



O rei profeta O chama Padre eterno porque pai Ele sempre será e porque o sacrifício que Ele irá instituir continuará a existir até o fim dos tempos graças ao sacerdócio católico.



POR MALAQUIAS.



O profeta Malaquias diz, no primeiro capítulo, versículo 11, que “depois do nascer e até o pôr do sol, será oferecido, em toda parte (*45) (em todo lugar (*46)) um sacrifício puro e sem mancha à majestade do Altíssimo”.



POR JEREMIAS



O profeta Jeremias, no capítulo 33, versículo 18, profetiza que “nunca se verá faltar os sacerdotes e os sacrifícios”. (*47)

E é a Igreja Católica, pelo ministério dos seus sacerdotes, que oferecerá até o fim dos tempos, em todos os lugares, o Sacrifício da Cruz, perpetuado pelo santo Sacrifício da Missa, conforme as profecias de David, Malaquias e Jeremias.





07 - DEUS ANUNCIA A SUBSTITUIÇÃO DOS ANTIGOS SACRIFÍCIOS DA LEI MOSAICA.





Malaquias, cronologicamente o último dos profetas chamados menores do Antigo Testamento, escreveu, de acordo com todos os dados, na época de Esdras e Nehemias, nos meados do século V antes de Cristo (*48), 500 anos antes da vinda do Senhor.



No começo da profecia de Malaquias, Deus insiste no amor que tem ao seu povo e, por sua vez, nos pecados daquele povo que explicavam os sofrimentos que haviam caído sobre ele. Refere-Se antes de tudo aos pecados dos sacerdotes os quais, contrariando as prescrições legais, ofereciam a Deus sacrifícios de animais defeituosos.



O Senhor anuncia que essas oblações não O agradam e que em lugar delas há de vir uma oblação extremamente pura que será oferecida a Deus em todo lugar, entre as nações; e os termos empregados mostram que se trata de uma “oblação sacrifical” e indicam, principalmente, a oblação de um sacrifício incruento.



Além disso, tendo em vista o conhecimento universal de Deus e uma vez que irão ser oferecidos sacrifícios agradáveis a Deus entre os gentios, fica caracterizado que Malaquias se refere aos tempos messiânicos.(*49)



Uma vez que toda a ordem do Antigo Testamento tinha em vista a ordem do Novo Testamento, dispôs admiravelmente o Espírito Santo que sua última profecia naquele Testamento se referisse à Sagrada Eucaristia, a qual, continuando o Sacrifício da Cruz, irá constituir o centro da vida cristã. Também é significativo que esta profecia se encontre em Malaquias, aquele que tão decididamente insistiu no amor de Deus a seu povo: “Os tenho amado”(*50), declara o Senhor Deus (Javeh).(*51)



Nos versículos 10 e 11 do capítulo 1 de Malaquias temos:



“10...Minha afeição não está em vós, diz o Senhor Deus dos Exércitos e eu não receberei a oblação que vem de vossas mãos. 11 Eis que desde o nascer do sol até seu ocaso sacrificam a Mim em todo lugar e oferecem em meu nome uma oblação toda pura, pois grande é o meu nome em todas as nações”.(*52)



Os mais antigos documentos cristãos têm uma predileção por esta profecia de Malaquias, cujo eco foi recolhido pelo Concílio de Trento(*53), ao dizer, a respeito do Sacrifício da Missa: “E esta é certamente aquela oblação pura, que não pode ser manchada por qualquer indignidade ou malícia dos ofertantes, a qual foi predita pelo Senhor, por Malaquias, que havia de ser oferecida pura, em todo lugar, ao seu nome, o qual havia de ser grande entre as gentes”.(*54)





08 - CHEGA O TEMPO DO NOVO SACRIFÍCIO.





O espírito que devia animar todas as cerimônias religiosas diminuía dia a dia, e a irreligião e a estupidez chegaram ao ponto culminante imediatamente antes da chegada do Messias.

O que, de fato, esperar dos fariseus que se detinham apenas nas exterioridades da lei? E, sobretudo dos saduceus, que dominavam o templo, que presidiam os sacrifícios e que não acreditavam na ressurreição?



Era, pois, o tempo em que as figuras deviam acabar e que, de acordo com a predição do Profeta-Rei(*55), Deus devia rejeitar os sacrifícios que haviam sido oferecidos, até então, apenas no templo de Jerusalém.(*56)



Era o tempo em que iam ser cumpridas as profecias do Antigo Testamento e, assim sendo, em seu encontro com a samaritana, Jesus Cristo anuncia um novo Sacrifício.





09 - JESUS CRISTO ANUNCIA UM NOVO SACRIFÍCIO.





Era o tempo de um novo sacrifício.

E era preciso um novo sacrifício que fosse necessariamente oferecido em espírito e em verdade.(*57)



E é este sacrifício que Jesus Cristo anuncia à samaritana, quando ela lhe coloca a questão relativa ao lugar onde se devia adorar(*58), isto é, sacrificar; porque a contenda (discussão, briga) entre os judeus e os samaritanos dizia respeito apenas ao lugar do culto exterior, das oblações e dos sacrifícios, e não sobre o lugar da prece e do sacrifício interior, pois todos estavam persuadidos que se podia rezar e se oferecer a Deus em toda parte.



Jesus Cristo entra no pensamento da samaritana e lhe diz que chegou a hora (*59) em que não mais se adorará, isto é, que não se sacrificará mais, nem sobre a montanha de Garizin, nem em Jerusalém; mas que existirão verdadeiros adoradores que adorarão o Pai em espírito e em verdade(*60), e que não ficarão mais restritos a um lugar em particular.(*61)



A resposta de Jesus Cristo confirma a necessidade de um novo sacrifício, do Sacrifício da Nova Lei, que será oferecido em todo lugar e que será sempre oferecido em espírito e em verdade por Aquele que é a própria Verdade.(*62)



Este novo sacrifício, anunciado por Jesus Cristo à samaritana, já tinha o seu protótipo no sacrifício de pão e vinho oferecido por Melquisedeque, como disposto por Deus 2000 anos antes; e, por isso mesmo, o pão e o vinho devem ser, sempre, a matéria do sacrifício que Nosso Senhor Jesus Cristo está por instituir.(*63)



E sobre este novo sacrifício, agora, é o próprio Verbo de Deus feito homem, e não mais os antigos profetas, quem vai nos falar, primeiramente prometendo a Eucaristia e depois realizando Ele mesmo a grande maravilha.(*64)
O SACRIFÍCIO DA MISSA SEGUNDO OS SANTOS PADRES DA IGREJA.





“Do nascer ao pôr do sol, será oferecido a Mim, em todo lugar, um sacrifício, e será uma oblação toda pura, porque o Meu nome é grande em todas as nações” (Mal.1,10-11). [*179]



Não é possível deixar de considerar que os mais antigos doutores da Igreja: São Justino (+165), São Irineu (+202), Tertuliano, São Cipriano (+258), etc, tenham aplicado esta profecia de Malaquias à Eucaristia. [*180]



Os primeiros santos Padres da Igreja nos fazem ver, de maneira irrefutável, que desde os primeiros tempos do Cristianismo era oferecido a Deus (como o é ainda hoje) um sacrifício — o Santo Sacrifício da Missa — o mesmo Sacrifício da Cruz —, isto é, a própria “Paixão do Salvador”; com Presença Real da Sagrada Vítima [*181]; sacrifício ofertado por aqueles a quem Nosso Senhor Jesus Cristo havia concedido tal poder: “hoc facite!”. Senão vejamos:





- Sobre SACRIFÍCIO -



SÃO PAULO



São Paulo, 20 anos depois da instituição da Eucaristia, escreve em sua primeira carta aos Coríntios: “O cálice da benção que consagramos não é, porventura, a comunhão do Sangue de Cristo? E o pão que partimos não é a comunhão do Corpo do Senhor?”.

E na sua carta aos Hebreus: “Nós temos um altar, do qual não podem comer os que servem no tabernáculo”.

Ver também a subdivisão 18.



SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA (+110)



A princípios do século II, Santo Inácio de Antioquia expressava a fé comum ao dizer que a Eucaristia é “a Carne de nosso Salvador Jesus Cristo, a qual padeceu por nossos pecados e a qual o Pai ressuscitou por sua benignidade”. [*182]



SÃO IRINEU (+202)



“Os Apóstolos receberam este Sacrifício de Jesus Cristo e a Igreja o recebeu dos Apóstolos e Ela O oferece hoje, por toda parte, conforme a profecia de Malaquias”. [*183]



SÃO CIPRIANO (+258)



“O Sacrifício que nós oferecemos é a mesma Paixão do Salvador”. [*184]

“O pão e o vinho devem ser sempre a matéria do Sacrifício de Jesus Cristo e tornar-se-ão seu Corpo e seu Sangue”. [*185]



SÃO CIRILO de JERUSALÉM (+386)



São Cirilo de Jerusalém, nos meados do século IV, ao instruir os novos batizados sobre a necessidade de rezar pelos mortos, já dizia: “Nós cremos que suas almas recebem um alívio muito grande em virtude das preces que são oferecidas por eles no santo e temível Sacrifício do Altar”. [*186]



SÃO JOÃO CRISÓSTOMO (+407)



“Quando vocês vêm o sacerdote aplicado ao Santo Sacrifício, fazendo as suas preces, envolvido pelo povo santo, que foi lavado pelo precioso Sangue, e o divino Salvador que se imola sobre o altar, pensam vocês que estão ainda sobre a terra? não acreditam vocês estarem elevados até o céu? Ó milagre! Ó bondade! Aquele que está sentado à direita do Pai encontra-se por um momento entre nossas mãos e vai se dar àqueles que o querem receber”. [*187]



SÃO JERÔNIMO (+420)



São Jerônimo, por sua vez, diz que Jesus Cristo “ensinou os Apóstolos a atreverem-se a dizer, todos os dias, durante o Sacrifício do seu Corpo: Pai Nosso que estais no céu”. [*188]



SANTO AGOSTINHO (+430)



Santo Agostinho falando a cerca do Sacrifício da Missa, em seu décimo sétimo livro da Cidade de Deus, diz: “Este Sacrifício foi estabelecido para substituir todos os sacrifícios do Antigo Testamento”. [*189]

“Oferecemos por toda parte, sob o grande Pontífice Jesus Cristo, aquilo que ofereceu Melquisedeque”. [*190]

E é também Santo Agostinho quem nos explica maravilhosamente o versículo 7 do salmo 39: “Vós não quisestes nem oblações nem sacrifícios”, ao escrever:



“E agora! ficamos nós sem sacrifício? Que Deus não permita. Escutemos a continuação da profecia: ‘Mas me destes um Corpo’. Eis aqui uma nova vítima, e então o que é que Deus rejeitará? As figuras. O que é que Deus aceitará e nos prescreverá para substituir as figuras? O Corpo que substitui todas as figuras, o Corpo adorável de Jesus Cristo sobre nossos altares [*191]; este Corpo que os fiéis conhecem e que os catecúmenos não conhecem [*192]. Este Corpo que nós recebemos, nós que O conhecemos e que vós ireis conhecer, vós, catecúmenos, que não O conheceis ainda; e agrade a Deus que quando vós O conheçais vós não O recebais jamais para a vossa condenação”. [*193]





- Sobre PRESENÇA REAL –





SÃO PAULO



Ver a subdivisão 18.



SÃO CIPRIANO (+258)



“O pão e o vinho devem ser sempre a matéria do Sacrifício de Jesus Cristo e tornar-se-ão seu Corpo e seu Sangue”. [*194]



SANTO INÁCIO DE ANTIOQUIA (+110)



A princípios do século II, Santo Inácio de Antioquia expressava a fé comum ao dizer que a Eucaristia é “a Carne de nosso Salvador Jesus Cristo, a qual padeceu por nossos pecados e a qual o Pai ressuscitou por sua benignidade”. [*195]



“Esforçai-vos em realizar uma só Eucaristia, pois uma só é a Carne de Nosso Senhor Jesus Cristo e um só é o cálice para nos unirmos em seu Sangue”. [*196]

“Quero o pão de Deus que é a Carne de Jesus Cristo... e por bebida quero seu Sangue que é puro amor”. [*197]



SÃO JUSTINO (+165)



São Justino, que escreveu 40 anos depois da morte de São João [*198], por sua vez, diz que “nós sabemos que estes alimentos, destinados à nossa alimentação comum, são modificados pelas preces no Corpo e no Sangue de Jesus Cristo”. [*199]



“Este alimento se chama entre nós Eucaristia. Do qual nenhum outro é lícito participar senão ao que crê que a nossa doutrina é verdadeira, e que tenha sido purificado com o batismo para o perdão dos pecados e para a regeneração, e que vive como Jesus ensinou. Porque estas coisas não a tomamos como pão ordinário nem como bebida ordinária, mas assim como o Verbo de Deus encarnado, Jesus Cristo nosso Salvador, teve Carne e Sangue para a nossa salvação (na Cruz), assim também nos foi ensinado que o alimento ‘eucaristizado’ pela palavra da oração vinda de Deus (na dupla consagração) é a Carne e o Sangue daquele Jesus que se encarnou (Presença Real). Porque os Apóstolos, nos comentários por eles compostos chamados Evangelhos, nos transmitiram que assim lhes havia sido mandado”. [*200]



SANTO AMBRÓSIO (+397)



“Ele (Deus) nos alimenta realmente todos os dias deste sacramento da Paixão”. [*201]



SÃO JOÃO CRISÓSTOMO (+407)



“Quando vocês vêm o sacerdote aplicado ao Santo Sacrifício, fazendo as suas preces, envolvido pelo povo santo, que foi lavado pelo precioso Sangue, e o divino Salvador que se imola sobre o altar, pensam vocês que estão ainda sobre a terra? não acreditam vocês estarem elevados até o céu? ó milagre! ó bondade! Aquele que está sentado à direita do Pai encontra-se por um momento entre nossas mãos e vai se dar àqueles que o querem receber”. [*202]



SANTO AGOSTINHO (+430)



Santo Agostinho, ao falar sobre a assiduidade de sua mãe ao Sacrifício do Altar, diz: “Nós participamos deste altar divino, onde nós sabemos que é distribuída a vítima santa pela qual a condenação foi apagada”. [*203]





- Sobre SACERDÓCIO MINISTERIAL -





SÃO JOÃO EVANGELHISTA



“(Vós) não sois do mundo e Eu vos escolhi e separei do mundo...”. [*204]



SÃO JOÃO CRISÓSTOMO (+407)



“Não foi homem, nem anjo, nem arcanjo e nenhuma outra potestade senão o próprio Paráclito quem instituiu este ministério”. [*205]



“Quando vês o Senhor sacrificado e humilde e o Sacerdote orando sobre a Vítima e a todos aspergidos por aquele precioso Sangue, por que razão crês estar na terra entre os homens? Não penetras imediatamente nos céus?”. [*206]



As citações acima não exigem qualquer interpretação; elas mostram o que os Apóstolos transmitiram aos seus sucessores e assim sucessivamente.

As figuras da Antiga Lei já haviam sido substituídas e com Santo Agostinho afirmamos que foram substituídas pelo Sacrifício do Corpo adorável de Jesus Cristo oferecido sobre nossos altares; e sendo este novo Sacrifício um aprimoramento do antigo sacrifício propiciatório, agora, sacerdote e fiéis devem participar da consumação da Vítima. [*207]



E com o Padre Le Brun dizemos que o Sacrifício da Nova Lei é o Sacrifício do Corpo de Jesus Cristo, “oferecido e comido sobre nossos altares, por toda a terra”. [*208]

O Sacrifício da Nova Lei é o Santo Sacrifício da Missa que é o mesmo Sacrifício da Cruz. [*209]





20 - O SACRIFÍCIO DA MISSA É O MESMO SACRIFÍCIO DA CRUZ NA MISSA HÁ UM VERDADEIRO SACRIFÍCIO.





Jesus Cristo usando o seu poder supremo para fazer a mudança do pão em seu Corpo, e do vinho em seu Sangue (Presença Real), exerceu ao mesmo tempo, o seu poder sacerdotal, ao qual Ele não se elevou de Si mesmo, diz S. Paulo (Hebr.5,5) [*210], mas que Ele recebeu de seu Pai (“mas foi elevado por Aquele que Lhe disse: Tu és meu Filho, Eu hoje te gerei”), para ser “sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedeque” (Hebr.5,6) [*211]. Como seu sacerdócio é eterno, Ele oferecerá eternamente este sacrifício, e Ele não terá um sucessor. Ele estará sempre sobre os nossos altares, ainda que invisivelmente, o Sacerdote e o Dom, o oferente e a coisa ofertada, como diz Santo Agostinho [*212].



Mas para que este sacrifício seja visível, Ele estabeleceu como seus ministros os Apóstolos e os sucessores dos Apóstolos, aos quais Ele deu na Última Ceia o poder de fazer aquilo que Ele acabara de fazer: fazei isto em memória de Mim (Lc.22,19) [*213], inclusive repetindo o mandato por ocasião da transubstanciação do vinho em seu sangue, como registrou São Paulo (1Cor.11,25) [*214]; e eles o têm feito e eles o farão, sempre, todos os dias, em seu nome, por toda a terra: “Oferecemos por toda parte, sob o grande Pontífice Jesus Cristo, aquilo que ofereceu Melquisedeque”, diz Santo Agostinho. E para mostrar que este Sacrifício jamais terminará sobre a terra, Ele nos ordenou participar e anunciar a sua morte até a Sua última vinda (1Cor.11,26) [*215].





- Com consumação do Corpo e do Sangue da vítima -





O essencial do Sacrifício da Cruz consistiu na oblação que Jesus fez do seu Corpo [*216] e, como já foi dito, Ele continua a oferecer este mesmo Corpo sobre o altar; e, levando à sua derradeira perfeição este divino Sacrifício (que no Calvário não podia ser comido pelos fiéis), Ele nos alimenta realmente todos os dias com o sacramento da Paixão, como diz Santo Ambrósio (+397); a manducação da vítima, que faltava no Altar da Cruz, faz a perfeição do sacrifício dos nossos altares. “Nós temos um altar”, diz São Paulo (Hebr.13,10) [*217], e é no altar da Igreja que esta manducação se efetua pela comunhão.



A mesma vítima é oferecida sobre o Calvário e sobre os nossos altares, mas no Calvário ela é apenas oferecida, enquanto que na Missa ela é oferecida e distribuída, segundo a expressão de Santo Agostinho ao falar sobre a assiduidade de sua mãe ao Sacrifício do Altar: Nós participamos deste altar divino, onde nós sabemos que é distribuída a vítima santa pela qual a condenação foi apagada. [*218]



E esta é a fé da Igreja: que Jesus Cristo está sentado a direita do Pai e está fisicamente presente, tem uma Presença Real em todos os altares onde o santo Sacrifício da Missa é oferecido, e é o seu Corpo e é o seu Sangue que nos são dados como alimento e bebida da alma:



“Quem come a minha Carne e bebe o meu Sangue tem a vida eterna...” [*219].





COM PRESENÇA REAL DA VÍTIMA





A fé da Igreja na Presença Real de Jesus Cristo sob as espécies sacramentais eucarísticas é a fé de todos os tempos. [220]

A princípios do século II, Santo Inácio de Antioquia (+110) expressava a fé comum ao dizer que a Eucaristia é “a Carne de nosso Salvador Jesus Cristo, a qual padeceu por nossos pecados e a qual o Pai ressuscitou por sua benignidade”.



Nos começos da negação eucarística por parte de Berengário, o Concílio Romano do ano 1079 lhe opôs a fé da Igreja: “...e que depois da consagração [o pão e o vinho] são o verdadeiro Corpo de Cristo, (Corpo) que nasceu da Virgem e que, oferecido pela salvação do mundo, esteve pendurado na Cruz, e que está sentado à direita do Pai, e [que o pão e o vinho] são o verdadeiro Sangue de Cristo que foi derramado de seu lado”.



No tempo da maior negação da Eucaristia por parte dos protestantes, o Concílio de Trento proclamava a mesma fé: “Ensina primeiramente o Santo Concílio e confessa aberta e simplesmente que no venerável sacramento da Santa Eucaristia, depois da consagração do pão e do vinho, debaixo das aparências destas coisas sensíveis, se encerra Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, verdadeira, real [*221] e substancialmente (Canon 1).



Porque não há contradição entre o fato de estar o Nosso Salvador, Ele mesmo, sempre sentado à mão direita do Pai no céu, conforme o seu modo natural de existir, e que, não obstante, a sua substância esteja presente entre nós, em muitos outros lugares, sacramentalmente, com aquele modo de existir, o qual, ainda que nós possamos apenas exprimi-lo com palavras, podemos, contudo, alcançar com a razão iluminada pela fé e devemos crer firmemente ser possível a Deus”. [*222]



Mais recentemente, na grande Encíclica “Mediator Dei” sobre a Liturgia, temos, “uma vez mais, uma idêntica profissão de fé: [com seu culto eucarístico] os fiéis cristãos atestam e solenemente manifestam a fé da Igreja pela qual cremos que é o mesmo Verbo de Deus e Filho da Virgem Maria, que padeceu na Cruz, que se esconde presente na Eucaristia e que reina nos céus”. [*223]



E é Jesus Cristo — presente na Eucaristia — quem se oferece no Altar, como Ele se ofereceu para morrer sobre a Cruz [*224], mas agora, no Sacrifício da Missa, ele se oferece pelo ministério dos sacerdotes [*225].

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